De acordo com a definição do dicionário Michaelis, um dos significados do termo “referência” pode ser a relação de duas ou mais coisas entre si. Para a execução de projetos topográficos e cartográficos, é imprescindível que utilizemos algum referencial, originário de algum ponto conhecido, ou seja, georreferenciado, ou então arbitrário.

Pela sua definição acima citada, o referencial relaciona duas informações, por exemplo, um ponto levantado com coordenadas arbitrárias tem relação com a coordenada georreferenciada daquele mesmo local.

Seja no campo ou no escritório, a escolha das referências irá acompanhar o projeto até a sua implementação, e sabemos que muitas vezes a utilização de alguns termos técnicos são empregados de maneira equivocada quando o assunto é a referência do projeto.

Por vezes utilizamos o termo datum de maneira errada… ou seria elipsoide? Outras vezes o sistema de referência utilizado na verdade não pertence às referências reais, ou ao local onde o projeto será executado.

Erros conceituais podem gerar erros na prática, prejudicando a implementação das obras e consequentemente os clientes. Vamos esclarecer?

Afinal: há diferença entre datum e elipsoide?

O datum é caracterizado como sendo uma superfície de referência. Pode ser planimétrico ou altimétrico e é estabelecido por cinco parâmetros: dois para definir o elipsoide de referência e três para definir o vetor de translação entre o centro da Terra real e o do elipsoide.

Com essa simples definição já é possível identificar que dentro de um datum existe o elipsoide, logo, não se trata da mesma informação.

Na figura 1 percebe-se que o datum é o “ponto de amarração” entre o elipsoide, geoide e superfície topográfica.

Os data (plural de datum) são subdivididos em topocêntrico e geocêntrico, a sua principal diferença é a origem do datum. O topocêntrico considera o centro de massa terrestre como a origem e o geocêntrico adota o centro da Terra (figura 2). Dessa forma, existe uma variação nos eixos planos X e Y na casa dos 60m, criando um deslocamento considerável entre os referenciais.

Podemos ter diversos data amarrados a um único elipsoide, mas NUNCA veremos vários elipsoides amarrados a um único datum.

Aqui no Brasil já fizemos o uso do datum topocêntrico Astro­Chuá, Córrego Alegre, SAD­69 e mais recentemente foi adotado o datum geocêntrico WGS84 e SIRGAS 2000 – este último sendo a atual referencial para qualquer projeto que seja executado em nosso país.

E o elipsoide?

De forma simplista é uma figura geométrica (elipsoide) criada através de um modelo matemático com semieixos menor e maior, justamente para conservar o achatamento terrestre nos polos. O elipsoide de revolução foi pensado para facilitar os cálculos das coordenadas planimétricas e também a altitude elipsoidal, visto ser um modelo que desconsidera o relevo da superfície (figura 3).

Durante um período o Brasil adotou o elipsóide de Hayford e dele tivemos o datum SAD-69, na transição para era do datum SIRGAS 2000 tivemos o elipsoide alterado para o GRS80.

E a superfície de referência, o que é?

Qualquer objeto terá sua localização estabelecida somente quando pudermos descrevê-la em relação a outro objeto cuja posição seja previamente conhecida ou ainda, quando se determinar a localização em relação a um sistema de coordenadas.

Segundo o INPE, a definição de posições sobre a superfície terrestre requer que a Terra possa ser tratada matematicamente. Para fins práticos, aproxima-se a Terra por um elipsóide de revolução, que é um sólido gerado pela rotação de uma elipse em torno do eixo dos pólos (eixo menor). Estudos geodésicos apresentam valores levemente diferentes para os elementos do elipsoide, medidos nos vários pontos da Terra. Assim, cada região deve adotar como referência o elipsoide mais indicado.

A Superfície de referência consiste em 5 valores: a latitude e a longitude de um ponto inicial, o azimute duma linha que parte desse ponto e duas constantes indispensáveis para a definição do elipsoide terrestre.

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