A determinação correta de um referencial é o alicerce para o êxito ou não em um projeto, e é por isso que esta etapa exige cautela, bom senso e principalmente conhecimento técnico.

Em trabalhos topográficos e de agrimensura, é possível utilizar diversos equipamentos para elaborar seu levantamento. Cada tipo de equipamento gera arquivos de levantamento, que podem estar em referenciais distintos, sejam eles horizontal ou vertical.

Porém, cada tipo de referencial é utilizado para respectivos tipos de projetos e levantamentos, sendo necessário conhecer a diferença entre eles. Vamos lá?

 

Referenciais horizontais

Plano arbitrário – Definido de forma aleatória pelo operador e equipe que está em campo ou ainda pelo gestor do projeto, podendo ser unicamente a referência para aquela obra desenvolvida no local. Geralmente não há um padrão para definição das coordenadas dos eixos X, Y ou Z e estes não são georreferenciados. Esta opção tem maior recorrência em projetos urbanos e na utilização de equipamentos convencionais como estação total, teodolito, nível etc. Sua característica é a utilização de uma superfície plana como referência mesmo que arbitrária.

Plano Topográfico Local (PTL) – Normatizado através da NBR 14.166/98, é caracterizado como um referencial plano de extensão máxima equivalente ao raio de 25km possuindo amplitude altimétrica de 150m, ultrapassando algum destes critérios é criado um novo PTL que dará continuidade ao anterior. Com estas dimensões o projeto ainda é realizado em um plano (os efeitos de curvatura terrestre são desconsideráveis). Apesar do PTL ser apresentado por coordenadas planas tendo como origem em X = 150.000, Y = 250.000 e altitude média do município estas estão correlacionadas e apoiadas em coordenadas geodésicas tornando-o georreferenciado. Dessa forma, é possível converter facilmente de um referencial plano para o geodésico implicando em maior versatilidade nos equipamentos empregados no projeto e minimização de distorções na representação da área.

Para utilização de um referencial geodésico como o Sirgas 2000 se faz necessário a sistematização e escolha por um sistema de coordenadas que delimitará o escopo do projeto, dentre as mais difundidas pode-se encontrar as coordenadas do tipo UTM e as geográficas representadas por latitudes e longitudes. Nestes casos, a curvatura terrestre é considerada e poderá gerar divergência nas medidas lineares e angulares com base nas zonas de ampliação ou redução de fuso, caso não seja realizada adequação as características de cada equipamento e projeto.

Referenciais verticais

No dia-a-dia dos profissionais que trabalham com levantamentos topográficos, o geóide é um elemento importante no processamento dos pontos; é através desta superfície equipotencial que as referenciais de nível (RN) são transportadas. Nos levantamentos realizados por GNSS (GPS, GLONASS, GALILEO, entre outros) os valores encontrados na altitude são referenciados ao elipsóide.

Então temos as altitudes que por sua vez estão referenciadas a uma rede e a outro referencial externo ao projeto, neste aspecto podemos encontrar as altitudes geométricas (h), que estão apoiadas ao elipsoide de referência e as altitudes ortométricas (H), ao geóide.

A diferença entre as duas altitudes leva o nome de ondulação geoidal (N). Temos também as cotas sendo estas a referência altimétrica do projeto, os valores ali definidos muitas vezes são aplicados somente para aquela obra.

Entendendo as diferenças e respeitando as características dos referenciais e dos projetos a serem executados, provavelmente ocorrerá a minimização de erros e a otimização no tempo de projeto.

Nestes projetos é comum existir às vezes a necessidade de transformação entre referenciais, horizontais e verticais.

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