Inicialmente, quando falamos em futebol e no local onde são realizados estes verdadeiros espetáculos esportivos, devemos lembrar que para construção de estádios e campos profissionais de futebol, a geotecnologia se faz presente nos processos de levantamento topográfico, terraplenagem, locação e implementação do gramado, para que a bola possa rolar sem problemas, ou, inclinação indesejada.

É necessário também que as demarcações da área de jogo sejam feitas com muita precisão, para que as medidas não fiquem incoerentes entre os lados do gramado. Mas, o uso da geotecnologia não para por aí.

Neste ano, a Rússia é sede da Copa do Mundo de Futebol, um dos eventos mundiais mais importantes da era moderna. Serão 64 jogos espalhados pelo território russo, disputados por jogadores de alta performance, que estarão representando orgulhosamente seus países durante os dois meses de competição.

Os jogadores convocados para compor o elenco das seleções normalmente são aqueles que obtiveram destaque e consistência durante suas últimas temporadas. O número de gols, defesas, passes, lançamentos, desarmes precisos, faltas e títulos são algumas informações usadas pelos técnicos para convocar ou não um jogador.  Mas, não bastam apenas estas informações. Os números de desempenho físico também têm muito importantes, e somam aos dados enumerados anteriormente.

Mas como e quais são esses números de desempenho?

Durante as comemorações mais exaltadas ou no final dos jogos, como aconteceu após a partida Brasil X Sérvia (27/6/2018) na qual tivemos a felicidade de ver a seleção canarinho vitoriosa, é comum o atleta retirar a camiseta, e em alguns casos, podemos observar um acessório que recebe o nome de TOP. Neste equipamento existe um receptor GPS ou GNSS acoplado com a nobre finalidade de armazenar os dados de movimentação do jogador. Além do futebol, é comum encontrar o mesmo acessório em atletas de outras modalidades esportivas.

Com a tecnologia de posicionamento as mãos e armazenamento de dados em dispositivos portáteis cada vez menores é possível obter com maior rigor e exatidão as informações de rendimento do jogador, correlacionando estes elementos e inserindo-os em softwares específicos para análises futuras. Geralmente, são aplicados os sistemas de informação geográfico (SIG) destinados à uso esportivo para os cruzamentos de dados e geração de mapas de calor, áreas mais sensíveis para determinados esquemas táticos, modelos de fluxos, índices de posse de bola etc.

Os números como volume, intensidade e consistência de jogo são informações resultantes que podem ser retiradas deste tipo de ferramenta. Além disso, a frequência cardíaca nas corridas e o uso de acelerômetros permite que seja mensurado o potencial de arranque (“explosão” do atleta) e a frequência de “tiros” de velocidade e desacelerações realizadas durante as partidas. Dados como distância percorrida e velocidade média já são comuns para os “atletas de final de semana”, que utilizam aplicativos em seus smartphones.

O emprego da geotecnologia permite analisar tendências e proporcionar oportunidades aos atletas entre as diferentes posições existentes em campo.

Esta análise de dados também proporciona a otimização de custos pois determinadas modelagens conseguem gerar previsões para possíveis lesões, por conta de desgaste ou estresse muscular. Curiosamente também é possível identificar atletas que não estão apresentando o máximo de sua performance ou que estão fazendo “corpo mole”, justamente pelo poder de individualidade das análises.

Com os dados em mãos é possível unir um corpo multidisciplinar de profissionais, e focar nas principais características do atleta, buscando melhores resultados. Quando o jogador A foi convocado e o B não, podemos pensar que além do fator “balançar a rede”, provavelmente foi feita uma análise estatísticas pormenorizada dos dados de ambos atletas, afetando a escolha.

Mas não é somente o TOP esportivo que está presente dentro de campo como uma geotecnologia.

A tecnologia dos DRONES também está no campeonato desde sua pré-abertura e é comum encontra-los empregados para exercer atividades na divulgação do mundial através de fotografias ou filmagens panorâmicas.

A equipe de segurança da copa do mundo também está munida com aeronaves não tripuladas dentro e fora dos estádios para monitoramento de atividades ilícitas, suspeitas ou perigosas, preservando a segurança de torcedores e delegações.

Além disso, infelizmente, os VANTs também estão sendo utilizados para espionagens de outras seleções, com o objetivo de descobrir esquemas táticos, posição de jogadores e provável elenco de jogo. Justamente para não ocorrer este ato antidesportivo, a FIFA autorizou que as delegações utilizem binóculos, radiocomunicadores e bloqueadores de frequência para interceptar estes equipamentos, sendo este último, uma verdade arma contra drones, já que impede a comunicação entre a aeronave (veículo aéreo não tripulado) e o controlador.

Dessa forma, percebemos que as partidas de futebol não estão mais entre as quatro linhas do gramado somente, e sim, fica cada vez mais comum o uso da tecnologia na obtenção de melhores resultados, segurança e mais qualidade de informações.